Fotografia Panorâmica


Hoje convidei meu amigo Paulo Garber para fazermos algumas fotos panorâmicas em frente à Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, bem à beira do Guaíba. Minha experiência nesse tipo de foto é praticamente zero, enquanto o Paulo trabalha com isso, principalmente com fotografia em 360° de interiores de imóveis, e é o criador e fabricante de uma cabeça giratória de tripé, que também usei para este artigo.

Primeiro, algumas dicas para fazer fotos panorâmicas:

  1. Usar um tripé: ele vai garantir que todas as fotos serão tiradas a partir do mesmo ponto, e sem tremores;
  2. Fotografar com a câmera na posição retrato (vertical): ao fazer a junção das fotos, em qualquer software, é preciso fazer alguns cortes nas partes superior e inferior de cada uma, pois elas não se encaixarão perfeitamente; fotografando em retrato, as perdas serão menores;
  3. Encontrar o ponto nodal: ponto nodal é o ponto onde a câmera e lente estão totalmente centradas no tripé, de forma que se girarmos a câmera (em torno do eixo Y), duas referências verticais na área fotografada, como árvores, postes, não se moverão um em relação ao outro. Para conseguir isso, é preciso usar uma cabeça de tripé com ajustes nos eixos X e Y, como a fabricada pelo Paulo, que mostrarei adiante;
  4. Usar uma lente grande angular: isso dependerá do ambiente a ser fotografado; se for um ambiente interno, quanto menor o comprimento focal, melhor, já que as distâncias serão pequenas. Em ambiente externo, os comprimentos focais comuns nas lentes de kits SLR, de 18mm ou próximo disso, serão suficientes; logicamente, a distância focal não deve mudar nas fotos que montarão a panorâmica;
  5. Exposição: procurar manter a exposição constante em todas as fotos; se algumas das fotos tiverem luminosidade muito diferente de outras, o software de criação da panorâmica não produzirá bons resultados;
  6. Deslocamento lateral entre fotos: é preciso ‘repetir’ partes da cena entre uma foto e outra, para que existam pontos coincidentes que permitam unir as imagens; a cabeça panorâmica que usei estava graduada em 20°, sendo necessárias 18 fotos para fazer uma panorâmica em 360°. Se você não dispuser de uma graduação, grave mentalmente uma referência na foto, na extremidade direita por exemplo, e na foto seguinte, ao girar à direita, deixe a referência no final do primeiro quarto (25%) da próxima foto;
  7. Finalmente, tenha cuidado com objetos em movimento: eles podem aparecer como fantasmas no panorama; tente evitá-los, ou, como alternativa, tire mais de uma foto de uma mesma cena, para depois ver qual se encaixa melhor.

Abaixo, a criação do Paulo, que em breve estará sendo divulgada e comercializada em www.girafotos.com.br:


Com este acessório, pode-se mover a câmera em todos os eixos necessários para ajustar o ponto nodal, e um grande auxílio é a graduação para o giro da câmera, que pode ser de 20° ou com outra graduação, bastando para isso trocar uma peça da base do suporte. Além disso, ele é utilizável com câmeras de qualquer tamanho, em retrato ou paisagem.

Para criar o panorama que mostrarei adiante, usei 15 fotos, com 20° de giro entre elas:

Todas as fotos foram tiradas em ISO 100, com 18mm. Como o sol estava se pondo no horário que fotografei, excluí as fotos contra ele, para evitar muita diferença de luminosidade (ver item 5 acima). A graduação de 20° na cabeça do tripé gerou esta panorâmica de cerca de 306°:

Panorama de 15 fotos: clique para ampliar


O software que usei para criar a panorâmica foi o Kolor Autopano Giga®, que é um sistema pago, mas possui versão de demonstração. Seu funcionamento básico é bem simples, basta carregar as fotos e com poucos cliques ele monta o panorama. Para quem quiser se aventurar em configurações e ajustes mais avançados, o programa também os possui.

Existem outros sistemas gratuitos que fazem panoramas, mas deixo a pesquisa para vocês.

Abraços, Ernani Kern.

Deixe uma resposta